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O que é um trabalho útil? (1)

por Michel Husson [*]

Trabalhadora do zoológico.

Resumo:   O que é um "trabalho útil" na atualidade? Essa questão pode parecer a priori sem fundamento, mas faz sentido quando nos situamos ao nível da sociedade como um todo. A questão então torna-se: o que é um trabalho socialmente útil? Depois de relembrar brevemente os debates teóricos sobre o tema, este artigo apresenta duas teses:   1) Não há correlação entre a remuneração salarial por um determinado emprego e a utilidade social deste último;   2) Existe uma relação dialética entre a distribuição da riqueza e a estrutura do emprego e dos salários. Esta última questão é, de facto, tanto a condição como o reflexo da acumulação de riqueza num polo da sociedade.

1 – Os trabalhos improdutivos não são inúteis

A economia política há muito se debate com esta questão, mas de uma perspetiva um tanto tendenciosa, perguntando quem são os trabalhadores produtivos. Esta distinção entre trabalho produtivo e improdutivo tem, de facto, uma longa história que pode ser rastreada até François Quesnay. No seu famoso Tableau économique, ele postula que "A nação está reduzida a três classes de cidadãos: a classe produtiva, a classe proprietária e a classe estéril". A classe produtiva é definida estritamente, como "aquela que faz renascer por meio do cultivo do território a riqueza anual da nação. A classe dos proprietários inclui o soberano, os proprietários de terras e os dizimadores [encarregados de coletar o dízimo]". Resta a classe definida como "estéril" que reúne "todos os cidadãos ocupados noutros serviços e trabalhos que não os da agricultura". Para a chamada escola fisiocrática (que alguns chamam a "seita dos economistas"), a terra é, portanto, a única fonte de riqueza, graças à capacidade "milagrosa" que lhe é própria, e apenas o trabalho da terra é produtivo (Quesnay, 1766)

Marx obviamente não poderia aderir a esta definição estreita de trabalho produtivo, mas reconheceu o grande mérito de Quesnay por ter analisado o circuito económico em termos de classe social. O erro cometido por Quesnay pode, em certa medida, ser explicado pela realidade de sua época. Mas também expressa um viés ideológico que consiste em querer legitimar a utilidade social da despesa dos ricos.

Num artigo para a Enciclopédia que permanecerá na forma de rascunho, Quesnay (1757/1908, pp. 78-79) tem esta soberba fórmula:

O rico deve ser deixado livre para gastar (...) O rico que assim desfruta de sua riqueza, devolve-a à sociedade. Os ricos não devem ser prejudicados no gozo de sua riqueza ou dos seus rendimentos, porque é o gozo da riqueza que dá origem e perpetua a riqueza!

Vemos assim que a teoria do gotejamento é... um retorno às fontes.

Um pouco mais tarde, Quesnay imagina um diálogo com um hipotético M. H. que lhe sugere que "foi o trabalho do operário que produziu o valor de mercado da mercadoria". Quesnay (1766/1888, pp. 535-536) não está convencido e novamente insiste nas virtudes do consumo dos ricos:

Os ricos são, pelos seus prazeres quem proporciona com as suas despesas o salário dos trabalhadores; far-lhes-iam grande dano se trabalhassem para ganhar o necessário a essas despesas e prejudicar-se-iam empregando-se num trabalho penoso que significaria uma diminuição do seu prazer; pois o que é penoso é a privação de um prazer satisfatório. Assim, eles não obteriam o maior aumento possível do seu prazer pela maior redução nos seus gastos.

Concordaremos que este raciocínio é admirável: os ricos prejudicariam os operários, entregando-se eles próprios a um trabalho penoso.

Em The Wealth of Nations, Adam Smith (1776/1991, volume 2, p. 291) faz um ataque bastante cáustico a Quesnay:

O sistema que representa o produto da terra como única fonte de rendimento e riqueza de um país, nunca foi, até onde eu sei, adotado por qualquer nação, e agora só existe na França, nas especulações de um pequeno número de homens de grande conhecimento e talento distinto. Certamente não vale a pena discutir longamente os erros de uma teoria que nunca foi cometida e que provavelmente nunca causará dano em parte alguma do mundo.

Para ele, o erro capital desse sistema é obviamente apresentar "a classe dos artesãos, fabricantes e comerciantes, como totalmente estéril e improdutiva" (Ibidem, volume 2, p. 294).

A distinção de Adam Smith entre trabalho produtivo e improdutivo faz referência explícita à teoria do valor: "Há um tipo de trabalho que aumenta o valor do objeto sobre o qual é exercido; há outro que não tem o mesmo efeito. O primeiro, que produz valor, pode ser chamado de trabalho produtivo; o último, trabalho improdutivo" (Ibidem, volume 1, p. 417). Em geral, o trabalho improdutivo é, para A. Smith, o de prestadores de serviços, especialmente trabalhadores domésticos.

Karl Marx discutirá longamente a análise de Smith e proporá sua própria definição de trabalho produtivo, consistente com seu modelo teórico: "do ponto de vista capitalista, apenas é produtivo o trabalho que cria mais-valia". O trabalho improdutivo é, portanto, definido como o trabalho "que não é trocado por capital" (Marx, 1863/1974, volume 1, pp. 162 e 167). Uma definição semelhante é encontrada em Capital: "[no capitalismo] a meta determinante da produção é a mais-valia. Portanto, apenas o trabalhador que devolve mais-valia ao capitalista ou cujo trabalho fecunda o capital é considerado produtivo" (Marx, 1867/1969, volume 2, p. 184). No entanto, Marx adota uma definição mais restrita noutro lugar; por exemplo, o trabalho no comércio ou no transporte é para ele improdutivo: "as funções puras do capital na esfera da circulação não produzem valor nem mais-valia" (Marx, 1894/1976, p. 272).

Este imbróglio gerou farta literatura dedicada à exegese dos – muitas vezes contraditórios – textos de Marx sobre esta questão. Uma das melhores sínteses é encontrada num artigo anterior de John Harrison (1973). O autor não é um marxista ortodoxo: para ele, querer "manter um conceito apenas porque aparece nos escritos de Marx é reduzir o marxismo a um dogma". E não há mão morta: "A tentativa de Marx de definir cientificamente a categoria de trabalho improdutivo empregado pelo capital foi fundamentalmente mal concebida". A integração desse conceito no sistema teórico de Marx de facto leva a muitas inconsistências: por exemplo, os chamados trabalhadores improdutivos não seriam afetados pela exploração.

Na sua notável discussão sobre este tema, Christophe Darmangeat (2016, 2017) finalmente mantém apenas uma definição estrita de trabalhadores improdutivos: são "aqueles cujos salários são pagos com dinheiro" e ele admite que a importação dessa distinção dentro do setor capitalista" ajudou a obscurecer o alcance, até mesmo a sua existência." A distinção produtivo / não produtivo não pode, em última análise, ser usada como um critério para avaliar a utilidade dos empregos. No entanto, Harrison (1973) apontou para outro problema de método, argumentando que Marx definiu implicitamente o trabalho improdutivo como aquele "que seria supérfluo num hipotético sistema de produção mais racional". É essa via que fornece uma base crítica para a noção de utilidade dos empregos.

2. A repartição do valor

No seu livro em que debate os inconvenientes do mercado , Roger Bootle (2009) introduz uma distinção fecunda entre empregos "criativos" e empregos "distributivos", que não deixa de ter relação com aquela que Marx procurou estabelecer entre trabalho produtivo e trabalho improdutivo. Simplificando, trabalhadores criativos criam valor, enquanto trabalhadores distributivos são empregados para capturar esse valor em benefício desta ou daquela entidade, numa lógica de competição generalizada.

Adair Turner (2018, 10 de abril; 2018, 12 de setembro) recentemente fez eco dessa distinção e fala sobre empregos de "soma zero" porque deslocam valor, sem criá-lo. Um exemplo típico são as atividades de marketing e publicidade destinadas a convencer-nos "que o produto A é melhor do que o produto B". Turner esboça um catálogo ao estilo Prévert dos empregos que classifica nesta categoria.

  • os cibercriminosos e especialistas informáticos empregados para combater os seus ataques;
  • os advogados especializados em divórcios ou indemnizações por acidentes, erros médicos ou peculato financeiro;
  • os advogados de negócios que protegem os direitos de propriedade intelectual;
  • os contabilistas e advogados tributários empregados na otimização fiscal e funcionários designados para o seu controlo;
  • operadores de investimentos no mercado financeiro (traders) e gestores de ativos;
  • consultores, reguladores financeiros e responsáveis pela conformidade;
  • banqueiros de negócios, advogados e executivos seniores que gerem finanças empresariais, muitas vezes sem criação de valor sustentável;
  • lobistas e comunicadores.

3. Gerentes, supervisores, anunciantes, consultores: todos inúteis?

Mas, apesar de tudo, esses empregos de "soma zero" são úteis no sentido de que estão adaptados ao sistema competitivo realmente existente. Esta categoria, portanto, só faz sentido, como Harrison (1973) já sugeriu, apenas em relação a outra empresa que tenha reduzido esses encargos em termos de concorrência. Em todo caso, abre uma reflexão que se pode desenvolver em vários níveis.

Poderíamos assim, incluir em empregos de "soma zero" uma parte daqueles que se dedicam à gestão do que eufemisticamente são chamados de "recursos humanos". No entanto, os novos métodos de gestão conduzem a um rápido crescimento dos empregos correspondentes. Este é o ponto de partida para as experiências de algumas empresas, a mais conhecida das quais é sem dúvida a Favi. Jean-François Zobrist, o dono da empresa – e promotor da experiência – baseou seu projeto na observação de uma hierarquia hipertrofiada dedicada ao controlo dos produtores. Frequentemente ele refere-se a um estudo de 2007 que estabelece que "as empresas industriais têm uma estrutura de custos dividida em 75% de custos diretos e 25% de custos indiretos". Ele, portanto, eliminou a hierarquia, bem como um grande número de funções de apoio que não contribuíam diretamente para a produção. Os resultados dessas experiências são, sem dúvida, discutíveis, mas o seu ponto de partida é o crescimento, considerado excessivo, de cargos de supervisão e controlo.

Na muito séria Harvard Business Review, dois economistas especializados em gestão procuraram quantificar essa inflação hierárquica (Hamel & Zanini, 2016). Eles totalizaram 24 milhões de diretores, gestores e outros supervisores nos Estados Unidos, ou seja 18% dos empregos (e quase 30% da folha de pagamentos total). Tomando como referência as empresas mais "parcimoniosas", chegaram à conclusão de que esse número poderia ser dividido por dois. Consideram ainda que metade das reuniões internas, às quais os outros colaboradores dedicam cerca de 16% do seu tempo, são uma perda de tempo, o que equivale a cerca de 9 milhões de empregos a tempo inteiro. No total, existem, portanto, 21,4 milhões de assalariados que "sem culpa própria, criam pouco ou nenhum valor económico".

Esta é uma explicação possível para o paradoxo de Solow. Ao nível da oficina ou do escritório, os trabalhadores (e consultores) observam muito concretamente o aumento da produtividade, mas isso, como Robert Solow já apontou há 30 anos, não é visível nas estatísticas macroeconómicas. Esta "evaporação" poderia assim ser explicada porque a produtividade "sentida" é avaliada apenas em relação aos trabalhos "criativos", esquecendo os empregos "distributivos".

4. O valor social dos empregos

Outra questão que merece ser levantada, é a da relação entre utilidade social e a remuneração. É um novo caminho que três pesquisadores da New Economic Foundation estão a explorar com base numa avaliação do "valor social" de várias profissões (Lawlor, Kersley, & Steed, 2009, 14 de dezembro).

Eles usam a chamada metodologia de "retorno sobre o investimento social" desenvolvida pelo UK Cabinet Office (UK Cabinet Office, 2012). Trata-se de avaliar o "desempenho" de cada profissão, comparando com o que ela traz para a sociedade e quanto custa. É certo que o método é discutível, pois parte do pressuposto de que se pode monetizar os efeitos úteis – ou prejudiciais – de diferentes atividades. Mas é implementado de forma racional e a mensagem que transmite é esclarecedora.

Entre as seis profissões examinadas, podem ser contrastadas duas que se situam em dois polos da escala social: de um lado, um operário da reciclagem, do outro, um banqueiro de negócios. O primeiro reduz a poluição e trata os resíduos. Em cada caso, uma avaliação é proposta: por exemplo, o CO2 economizado é avaliado em 51 libras por tonelada, usando a estimativa do relatório Stern. Resultado: o "produto social" desse trabalhador, pago com 13 650 libras, está avaliado em 151 152 libras. A relação entre o seu valor social e o seu salário é, portanto, de 11 para 1.

O balanço quanto aos banqueiros da City é totalmente negativo. Claro, eles criam valor que pode ser medido pela contribuição do setor para o PIB e as finanças públicas; mas estão destruindo muito mais, por causa da crise financeira que ajudaram a provocar. No total, "com salários variando de 500 mil a 10 milhões de libras, os banqueiros de negócios da City destroem 7 libras de valor social por cada libra de valor criado".

Este método de avaliação é questionável, mas permite-nos testar a intuição segundo a qual a remuneração atribuída aos vários tipos de empregos não tem relação com a sua utilidade social. Poderíamos multiplicar os exemplos: assim, um engenheiro de uma escola superior ganhará duas ou três vezes mais no setor privado desenvolvendo tecnologias mais ou menos fúteis do que na investigação fundamental.

5. Empregos de merda (shit jobs) e empregos idiotas (bullshit jobs)

Roger Bootle (2009) aventura-se num palpite engraçado sobre a razão pela qual os operadores de investimentos no mercado financeiro (traders) "merecem" ganhar tanto: "o seu trabalho é tão desgastante que só o dinheiro pode justificá-lo, e eles precisam de muito dinheiro para aliviar seu sofrimento". É provavelmente também por isso que esse tratamento é eufemisticamente chamado de "compensação". Essa sugestão obviamente evoca as análises mordazes de David Graeber. No seu livro Bullshit jobs , ele propõe o conceito de "empregos idiotas" que define como "uma forma de trabalho remunerado que é tão totalmente desnecessário, supérfluo ou prejudicial que nem mesmo o próprio assalariado consegue justificar sua existência".

Graeber (2018, p. 43), no entanto, introduz uma distinção conceptual entre os "empregos idiotas" e os "empregos de merda":

Precisamos agora abordar outra distinção fundamental: aquela entre empregos que não fazem sentido e aqueles que são simplesmente trabalhos desprezados. Vou chamar aos segundos empregos de merda, como é comum. Só abordo esta distinção porque são frequentemente confundidos – e isso é estranho, porque não são nada parecidos. Poderia até dizer-se que são diametralmente opostos. Empregos idiotas costumam ser muito bem pagos e oferecem ótimas condições de trabalho, mas não servem para nada. Os empregos de merda, na maior parte, consistem em tarefas que são necessárias e inquestionavelmente benéficas para a sociedade; simplesmente os responsáveis são mal pagos e mal tratados.

Aqui encontramos o ressentimento de Bootle (2009) que, assim, daria suporte sociopsicológico à categoria de empregos idiotas: só uma boa "compensação" os tornaria aceitáveis, já que são inúteis. E encontra-se também a ideia de uma desconexão entre o valor social dos empregos e sua remuneração: empregos de merda são "inquestionavelmente benéficos para a sociedade", mas mal pagos. Esta é a pergunta que já colocava Keynes (1913, p. 192):

Durante quanto tempo ainda se achará ser necessário pagar aos homens da City de forma tão desproporcional em relação ao que outros ganham por serviços não menos úteis ou penosos que prestam à sociedade?

(continua)
As referências indicadas serão apresentadas na 2ª parte do texto.

[*] Economista, michel.husson@ires.fr

O original encontra-se em econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/rbest/article/view/13688


Este ensaio encontra-se em https://resistir.info/ .
01/Mar/21
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